Não resta dúvidas, o tema racismo abrange uma vasta e polêmica discussão. Atualmente no Brasil existem programas governamentais de conscientização humana anti-racismo, além de projetos de inclusão de negros nos diversos meios da sociedade, principalmente nos concursos públicos e vestibulares. Apesar do conceito “racismo” estar inserido na discussão envolvente ao preconceito, que não arca somente esta diferença da cor de pele, mas também elementos como a etnia, estaturas físicas, obesidade, cultura, nacionalidade, entre outros. Esta breve discussão focaliza-se na vertente do negro, por ser este um dos principais receptor da exclusão na sociedade brasileira, devido seu passado histórico, e alvo central das discussões e projetos do governo.
Os diferentes discursos da sociedade e a produção de textos pertinentes ao assunto alimentam a esperança de acabar ou amenizar com as práticas de racismo no Brasil. Em análise se percebe a criação de um modelo ideal e legitimado pela sociedade tendo características próprias de cor de pele, estatura, condição financeira, entre outros, além de idealizado e produzido é legitimado a todo o momento pela mídia e revistas, sendo reproduzido pela população, como seu tipo ideal.
A questão da exclusão não parte somente de um grupo diferente dos negros, mas também do próprio negro e daqueles que se dizem livres das práticas e idéias do racismo. É importante ressaltarmos que os programas governamentais servem de estimulante, ao nos remeter a lembrança e reforçarem a idéia das diferenças existente em meio à sociedade, além de instigarem a aclamada sociedade dos privilégios Kantiana, a cota de negros. Seria como dizer que os debates que surgem em vigor das votações de planejamentos acerca das cotas, incentivam a notarmos as diferenças gerando mais exclusão e diferenciações.
O processo civilizador busca romper os hábitos primitivos humano, transformando está natureza, dita como selvagem, com a criação de novos atos típicos do homem civil , como por exemplo, a etiqueta. No reino animal são existentes grupos selvagens que andam em bandos, exemplo disto são os lobos, dentro de uma alcatéia é presente atos de exclusão de certos lobos que se diferenciam do outros, devido a estes choques em meio ao grupo uma alcatéia procura não aumentar muito seu bando, já sabendo que em maior quantidade os problemas serão maiores, o alimento poderá entrar em escassez e a exclusão aumentará.
O homem ainda mantém seus instintos primitivo animais, porém de forma camuflada pelo processo civil, racionalidade e a incessante busca de distinção das espécies animais, mas os homens assim como os animais também excluem alguns de sua espécie para que haja conforto e melhor sobrevivência em seus grupos. A alcatéia vive no máximo numa comunidade de cem lobos e mesmo assim é natural a exclusão daqueles que se diferenciam do modelo ideal criado frente ao bando, já o homem busca viver em meio a milhões de pessoas - a sociedade - com enormes diferenças étnicas, e ainda quer que não existam diferenças, exclusões e racismo. É impossível imaginar uma sociedade igualitária, pois ainda o homem possui seus instintos primitivos a flor da pele, o racismo é um ato natural humano, um instinto de sobrevivência. Porém não devemos esquecer que o homem é um ser pensante e almejadamente civilizado, por isto cria-se uma série de ideologias e discussões em torno destes argumentos, que por fim ajudam a encobrir a percepção dos ainda presentes instintos animais.
Um dos equilibrios da sociedade está no próprio racismo, este gera conflitos que articulam a existência de uma sociedade e movimento ao seu convívio humano. O uso do discurso da exclusão surge então como mecanismo de conquistas daqueles que se sentem fora dos padrões pré-estabelecidos, discurso que possibilita o alcance de fatores almejados, não que tenham consciência total destes recursos que geram privilégios, são criados naturalmente como resposta e manutenção de permanência na sociedade. Pensar numa sociedade sem diferenças não é pensar numa sociedade.
Quem mesmo assim não conseguir viver nos grandes grupos humanos e na existência natural do racismo, deve buscar viver em sociedades alternativas em meio à comunidade de indivíduos que compactuam semelhanças de idéias e alusões, como as antigas raízes primitivas, como os animais.
Quero deixar claro que o presente e breve texto não têm como intuito criar apologias ao racismo, mas sim de clarear as idéias sobre o assunto. Pois é importante que exista diversidade de pensamentos que afomente novas noções, mesmo que sejam contestáveis. Significa não dogmatizar idéias prontas, mas ter a capacidade de possibilitar/perceber o mundo e a sociedade de inúmeras formas.
A luta contra o racismo e os diversos pensamentos que surgem contra ou a favor serão sempre existentes.
Moralmente dizendo, talvez fosse bem melhor se realmente fosse negado às diferenças, mas também seria como negar as noções de percepção e sensibilidade visual. Outro instinto do homem em sociedade é de idealizar algo como benfeitoria para todos, que é a idéia de bem comum, a busca pela sociedade perfeita e igualitária, com o intuito do “bom convívio e existência humana”.
Um comentário:
Instigante!
Tbm acredito que continuar pensando o racismo da mesma forma que usualmente se pensou até agora é no mínimo "chover no molhado". Os processos de exclusão em uma sociedade como a nossa são proporcionais aos mecanismos de individualização coletiva. Impossível pensar esta mesma sociedade sem um padrão(ou padrões)de civilidade à reger todos, como tbm impossível pensa-la sem elementos ou grupos marginalizados deste padrão.
Creio que seja o caso de pensar em questões como: "que inclusão buscamos?", "até que ponto a mesma deve ir?", e sobretudo "até onde essa igualdade tão almejada pode ser benéfica ou mesmo prejudicial?"
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