
Confesso que meu primeiro contato com esse gênio alemão da música aconteceu muito recentemente, há não mais do que um ano atrás. À primeira impressão, me pareceu que eu estava entrando em contato com a coisa mais absurda e estranha que tinha ouvido até então em matéria de música. O certo é que a obra de Stockhausen assusta sim nos contatos iniciais que temos com ela, não só pela excentricidade da mesma, mas também pela a incrível ousadia que emergi constantemente de suas experimentações, a ponto de nos perguntamos se aquilo é realmente algo que possa ser chamado de música.
Mas, por mais surpreendente e improvável que seja, aquilo é sim música, e de excelente qualidade por sinal! O que torna Stockhausen a primeira vista “indigesto” é o fato de ser a sua obra uma revolução sem precedentes na história da música. Nela estão localizados ainda em estado experimental, quase todos os elementos que servirão de base para boa parte do que será produzido em matéria de música durante a segunda metade do século XX. Em seus “laboratórios” de música, o compositor estudou profundamente os fenômenos acústicos, descobrindo técnicas de manipulação sonora até então desconhecidas. Utilizando como base sons produzidos artificialmente sob controle em estúdio, Stockhausen inaugura conceitos novos no processo de composição musical, como a espacialidade musical, as experiências com o eco e a reverberação, utilizando-se sempre de técnicas aprendidas na escola do serialismo integral através de seu principal mestre, Olivier Messiaen, com o qual estudou durante a década de 50.
Karlheinz Stockhausen é por muitos considerado o grande pioneiro da música eletrônica, fato inegável é claro. No entanto, sua influência se estendeu por diversos campos da música. Lendas folclóricas do jazz como Charles Mingus e Miles Davis produziram composições profundamente influenciadas pela obra de Stockhausen, compositores não muito menos geniais como Frank Zappa, ou mesmo grandes bandas como Beatles, Pink Floyd e Kraftwerk o citam como influência ou inspiração.
Escrevi essa breve resenha sobre a obra do compositor principalmente por considerá-lo um dos mais geniais artistas desse século que se passou. Apesar de sua morte recente (2007), com certeza sua criatividade ainda servirá de inspiração para todos os artistas de vanguarda, que trabalham e produzem suas obras sempre preocupados em favorecer a inovação e o avanço não só musicais, mas de toda a arte em geral!
Para os que não conhecem a obra de Stockhausen, deixo aqui um link para o download de Kontakt, um de seus melhores trabalhos. Espero que consigam ouvir até o final. =)
Karlheinz Stockhausen - Kontakt
Até mais amigos da Ágora!
Um comentário:
A música, conforme disse Nietzsche, é o contato mais próximo com o mundo dionisico. Se Stockhausen pudesse ser críticado pelo citado pensador, seria considerado uma excessão da atrofiada cultura alemã, assim com o Goethe, ou seria encharcado pelas ofensas ferrenhas. Não que Nietszche seja primordial para avaliação dos "ídolos", mas tocando em cultura alemã se torna difícil desvincular-se desta personalidade tão marcante para a analise do todo. Ainda mais sabendo que voce Sávio, admira Nietzsche tanto quanto eu. Enfim, desconhecia o vanguardista, apesar de pouco movimento deste blogger(olha o desabafo!!!)jáh valeu á pena por estas informações adquiridas...Valeus sávio, parabéns pelo conteúdo exposto.
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